20 termos de tecnologia que disparam pensamentos e gatilhos
Há um lugar, neste sítio cibernético escondido entre as serras pantaneiras e as montanhas do sul de Minas, onde a sensatez encontra a insanidade e decide não continuar a conversa.
E é nesse local que algumas palavras são dissecadas.
Termos que vieram da engenharia, natureza, administração, inglês, latim, algum programador com sono ou simplesmente de alguém que achou uma palavra bonita e resolveu colocá-la dentro de uma reunião.
Alguns vivos. Outros deveriam estar mortos.
E alguns continuam sendo utilizados diariamente por pessoas que talvez nem saibam exatamente o que significam.
Por isso, além do nosso Grossário de UX, onde colocamos alguns desses termos na mesa de autópsia, temos também o Rest in Peace, nosso pequeno cemitério para tecnologias que um dia tiveram futuro.
Mas aqui a proposta é outra.
São 20 termos de tecnologia que, por algum motivo, podem provocar pensamentos, lembranças, confusão ou simplesmente aquela vontade de perguntar: “quem foi o desgraçado que decidiu chamar isso assim?”
01. Motorhead (A que mais gosto)
Não, não é a banda do Lemmy Kilmister.
Também não é o sujeito que passa o domingo inteiro desmontando o motor do carro.
No mundo da tecnologia, Motorhead pode aparecer como nome de mecanismo, projeto ou ferramenta. O problema é que, depois que você conhece o Lemmy, fica difícil imaginar qualquer outra coisa.
Motorhead: provavelmente não toca Ace of Spades.
02. Commitar
Não, não é vomitar.
Embora, dependendo do código que você acabou de escrever, a diferença possa ser apenas conceitual.
Commitar é registrar uma alteração no código em um sistema de controle de versão, como o Git.
Você faz uma alteração, salva aquela versão e deixa registrado o que mudou.
Na prática:
“Commitei.”
Tradução:
“Agora oficialmente existe uma maneira de descobrir quem fez essa merda.”
03. Debug
“Debug is on the table?”
Não.
Debug não significa colocar o bug em cima da mesa para conversar sobre seus sentimentos.
É o processo de encontrar e corrigir erros em um programa.
O nome vem de bug, o famoso “bicho” que virou sinônimo de problema em software.
E sim: passamos décadas criando sistemas cada vez mais complexos para continuar procurando insetos imaginários.
04. Bug
Não é inseto.
Mas também é.
Um bug é um erro ou comportamento inesperado em um sistema.
O curioso é que a palavra ganhou força na computação por causa de uma história envolvendo uma mariposa encontrada em um computador.
Ou seja: uma mariposa entrou para a história da tecnologia porque conseguiu quebrar uma máquina. (Acho que sai um texto sobre isso).
Respeito.
05. Deploy
Não, não é um Chiclete.
Deploy é colocar uma aplicação, alteração ou versão em um ambiente onde ela possa ser utilizada.
É o momento em que aquilo que estava funcionando maravilhosamente bem no computador do desenvolvedor encontra o mundo real.
E descobre que o mundo real não é tão compreensivo.
06. Fork
Não é garfo.
Bom, tecnicamente é garfo.
Na tecnologia, fork é quando um projeto ou código é copiado para seguir um caminho independente.
É como olhar para um projeto e pensar:
“Gostei. Mas acho que consigo estragar isso de um jeito diferente.”
07. Pull Request
Não é um pedido para alguém soltar um pum.
É uma solicitação para incorporar alterações feitas em uma determinada linha de desenvolvimento.
Também pode ser entendido como:
“Olha o que eu fiz. Você pode revisar antes que eu destrua a produção?”
08. Cache
Não é “cash”.
Não tem dinheiro envolvido.
Cache é uma área onde dados são armazenados temporariamente para que possam ser acessados mais rapidamente.
É também uma das primeiras coisas que alguém manda limpar quando um sistema começa a fazer algo inexplicável.
09. Cookie
Não é biscoito.
Embora ambos possam ser consumidos sem você perceber exatamente quanto.
Na web, cookie é um pequeno dado armazenado pelo navegador para guardar determinadas informações sobre uma sessão ou usuário.
E sim, a internet decidiu chamar isso de biscoito.
Porque aparentemente “pequeno arquivo de rastreamento” era pouco simpático.
10. Backend
Não é a última ponta do Planet Hemp.
É a parte de um sistema que geralmente fica por trás da interface e cuida de regras, processamento, banco de dados e comunicação com outros serviços.
O usuário não vê.
E essa talvez seja justamente a maior qualidade dele.
11. Frontend
Não é alguém no front da guerra (ou é?! Sei lá).
É a parte da aplicação com a qual o usuário interage diretamente.
Botões, textos, formulários, menus, animações e toda aquela superfície que parece simples até alguém perguntar:
“Mas não dá para só colocar mais um botão aqui?”
12. Framework
Não é armação.
Embora às vezes seja.
Um framework fornece uma estrutura e ferramentas para desenvolver software seguindo determinados padrões.
É uma maneira de não precisar reinventar tudo.
Até alguém decidir que precisa criar o próprio framework.
13. Middleware
Não é uma ferramenta para colocar no meio de alguma coisa.
Bom... é mais ou menos isso.
É uma camada intermediária que pode processar requisições, autenticar usuários, modificar dados ou executar determinadas tarefas antes que a aplicação continue seu caminho.
Uma espécie de porteiro digital.
14. Pipeline
Não é encanamento.
Embora dados também possam passar por ele.
Um pipeline é uma sequência de etapas automatizadas pelas quais código, dados ou processos passam.
Entrada de um lado.
Saída do outro.
No meio, uma quantidade variável de mensagens vermelhas.
15. Cloud
Afinal é uma nuvem?
Ou uma maneira bastante elegante de dizer:
“O computador de outra pessoa.”
Serviços de computação, armazenamento e processamento disponibilizados pela internet.
A nuvem existe.
Só não está no céu.
16. SaaS
Não é “sai”.
É Software as a Service.
Em vez de comprar um software e instalá-lo tradicionalmente, você utiliza o sistema como um serviço, normalmente pela internet.
É também uma das siglas que aparecem com mais frequência em apresentações corporativas.
17. API
Não é “a pia”.
Embora uma API possa ficar no meio de duas coisas tentando conversar.
É uma interface que permite que diferentes sistemas se comuniquem e troquem informações.
Uma espécie de tradutor.
Só que sem paciência para conversa fiada.
18. Prompt
Não é uma prontidão… tipo: “Pronto, um comando mágico”.
Também não é uma palavra que transforma automaticamente qualquer pessoa em especialista em inteligência artificial.
É uma instrução ou conjunto de instruções fornecidas a um sistema de IA para orientar sua resposta.
Às vezes funciona.
Às vezes você escreve 14 parágrafos explicando exatamente o que quer e recebe:
“Claro! Aqui está uma sugestão...”
19. Wireframe
Não é uma armação de arame.
É uma representação simplificada da estrutura de uma interface.
Sem firula.
Sem sombra.
Sem gradiente.
Sem alguém perguntando qual será a cor do botão antes de decidirmos o que o botão faz.
20. Handoff
Não é um aperto de mão corporativo.
É a passagem de um trabalho, informação ou entrega de uma pessoa ou equipe para outra.
No universo do design:
“Fiz o handoff.”
Tradução possível:
“Agora alguém vai descobrir que aquele componente tinha 14 estados.”
E por aí vai...
No fim das contas, a tecnologia é isso mesmo: pegar palavras que já existem, emprestar algumas de outras áreas, importar outras do inglês, adaptar algumas na marra e depois fingir que todo mundo sempre soube o que elas significavam.
Temos termos vindos da natureza, da engenharia, da administração, da música, da matemática e até da cozinha.
Depois aportuguesamos e misturamos com o que não tinha tradução, transformamos verbos em coisas que provavelmente fariam um professor de português pedir demissão e começamos a falar deles em reuniões como se fossem conceitos universais.
A tecnologia muda. As palavras ficam. E algumas continuam nos perseguindo mesmo depois que ninguém mais sabe exatamente por quê.
Se quiser continuar essa autópsia linguística, visite o Grossário de UX.
E, para aqueles termos que já não têm mais salvação:
Porque até a tecnologia tem seu cemitério.
E, aparentemente, seu “grossário”.