UX
24 AGO 2026 Upixel

10 práticas não recomendadas de UX

A regra é clara: se chutou para o gol, é porque tinha intenção de acertar.

E outra coisa: é errando que se aprende.

Claro que isso não vale para um piloto de avião ou para um cirurgião. Nesses casos, seria interessante que o cidadão já soubesse o que está fazendo antes de começar. E ainda assim… acontece.

Mas na nossa profissão, felizmente, as chances de ferrar alguma coisa de forma irreversível são um pouco menores. Quando desenhamos alguma coisa, podemos testar possibilidades, errar, voltar, mudar e descobrir que aquela ideia maravilhosa que tivemos às 2h da manhã talvez não fosse tão maravilhosa assim.

Foi pensando nisso que dei uma olhada em alguns artigos espalhados pela internet.

E, ao contrário do meu site, que mal aparece, encontrei uma variedade enorme de artigos maravilhosos. Alguns bastante úteis. Outros extremamente sérios. Alguns até um pouco pretensiosos.

Mas pretensão aqui, felizmente, não temos.

A nossa pretensão é fazer um pouco de humor misturado com crítica.

E já que o assunto é UX, vamos fazer o contrário:

10 práticas não recomendadas de UX.

Porque se é errando que se aprende, vamos errar direito.

1. Comece com pesquisas tiradas da sua cabeça

Entrevista qualitativa? Pra quê?

Você já conhece várias pessoas. Comece pensando no que seu avô responderia. Depois imagine o que sua mãe usaria. Seu vizinho provavelmente representa uma boa parte da população.

E se precisar de dados quantitativos, invente uma porcentagem convincente.

“Segundo nossa pesquisa, 87% dos usuários…”

Qual pesquisa? Aquela. A que está na sua cabeça.

Se alguém perguntar quantas pessoas participaram, responda: “Estamos levantando.”

Pronto. Research concluído.

2. Arregace na carga cognitiva do seu usuário

Esse negócio de simplicidade está muito superestimado.

Se existem milhões de cores, por que usar quatro? Se existem centenas de fontes, por que escolher duas?

Coloque tudo. Bold. Itálico. Sublinhado. CAIXA ALTA. Gradiente. Sombra. Borda. Ícone. Mais um ícone. E, se possível, um gif.

Faça a pessoa olhar para a tela e pensar: “Por onde eu começo?”

É praticamente um Onde Está Wally? corporativo. Todo mundo gosta de procurar coisas.

3. Já disse e repito: quem gosta de feedback? Ninguém.

O usuário clicou? Silêncio.

Enviou alguma coisa? Silêncio.

Está carregando? Silêncio.

Terminou? Continue em silêncio.

O usuário não precisa saber se o sistema recebeu o comando. Deixe ele refletir. Talvez ele tenha clicado. Talvez não. Talvez o sistema esteja processando. Talvez tenha travado.

UX também é sobre criar suspense.

Se ele clicar cinco vezes, melhor ainda. Você acabou de descobrir uma nova funcionalidade: o botão ficou muito mais eficiente.

4. Reconhecimento em vez de memorização? Sei…

O Nielsen vive falando disso. Mas o Nielsen é o Nielsen. Você não. Ele não pode errar. Você pode.

Então deixe tudo por conta da memória do usuário.

Quem não gosta de brincar de memória? Lembra onde estava aquele botão? Lembra qual menu você abriu? Lembra qual filtro estava selecionado? Lembra aquela informação que apareceu uma vez e nunca mais?

É quase um exercício cognitivo.

E se o usuário precisar acordar às 2h da manhã para lembrar como fazia alguma coisa na plataforma… parabéns. Você criou uma experiência memorável.

5. Erros acontecem

Talvez um deles esteja sendo cometido neste exato momento. Inclusive por mim.

Mas lembre-se: é errando que se aprende.

Quem nunca pegou o ônibus errado não sabe o que é conhecer uma cidade inteira sem planejamento.

Então não precisa prevenir todos os erros. Deixe acontecer.

Clicou no botão errado? Experiência.

Apagou tudo? Experiência.

Saiu da tela e perdeu o formulário? Experiência premium.

O importante é aprender. Depois que alguém descobrir como desfazer, a gente coloca um botão.

6. Experiências acessíveis? O que é isso?

Que que foi? Que que foi? Que que hááá?

Se está na internet, já está acessível. Tem botão? Acessível. Tem texto? Acessível. Tem imagem? Acessível. Tem um vídeo de 40 minutos sem legenda? Também.

Afinal, quem não consegue ouvir pode simplesmente… Bom. Talvez esse exemplo não tenha funcionado.

Mas depois a gente vê isso.

7. Simplifique a interface do usuário

Se a paleta tem dezenas de milhões de cores, por que usar só três? Quantas fontes existem? Use todas.

Espaço em branco? Tem espaço sobrando? Preencha.

Ícone sem função? Coloque também. Banner? Claro. Carrossel? Óbvio. Pop-up? Sempre cabe mais um.

A regra é simples: se está disponível no Figma, existe um motivo para usar.

E se a tela estiver muito cheia… Aumente o monitor.

8. Mobile first?

Como fazer mobile first se você constrói o protótipo em uma tela de 28 polegadas?

Se desse para fazer tudo primeiro no celular, eu faria. Mas estou aqui. Na frente de um monitor gigante.

Então vamos começar pelo desktop mesmo. Depois a gente pega tudo que está na tela e tenta colocar em 6 polegadas.

Não coube? Diminui. Ainda não? Scroll horizontal.

Problema resolvido.

9. Personalização para experiências relevantes

Adaptação? Preferência do usuário? Contexto? Não precisa disso tudo.

O usuário precisa descobrir coisas novas.

Está pesquisando pantufas de bichinho? Mostre uma roçadeira a gasolina.

Ele procurou uma passagem para Curitiba? Ofereça uma geladeira.

Pesquisou ração para cachorro? Curso de Excel.

Isso é diversidade de conteúdo. O usuário nunca sabe o que precisa até o algoritmo contar para ele.

10. Testes com usuários reais

As pessoas estão muito ocupadas para testar sua plataforma.

O único teste que elas gostam é degustação em supermercado. Você dá queijo? Elas testam. Dá salame? Testam também.

Agora, abrir uma plataforma e procurar um botão durante 15 minutos? Aí já é exploração científica.

E não precisa testar. Você conhece o sistema. Sua equipe conhece. O gerente conhece. O pessoal do TI conhece. O sobrinho do gerente conhece.

Está validado.

Finalmente acabou

Se você chegou até aqui, parabéns. Você acabou de ler um texto inteiro defendendo exatamente o contrário do que deveria ser feito.

E não, nada disso deve ser levado muito a sério.

Erramos e aprendemos. Aprendemos e ensinamos. E talvez esse seja justamente o espírito da coisa.

Mas uma coisa que falei aqui merece ser levada bem a sério: acessibilidade.

É um assunto que me interessa há muito tempo e que, na minha opinião, deveria estar presente em todas as esferas da sociedade.

Deveríamos levar acessibilidade a sério em qualquer situação.

Porque é muito bonito uma empresa dizer que segue WCAG, ter contraste perfeito, navegação por teclado e leitor de tela… e não ter uma rampa para entrar na própria empresa.

Aí fica difícil.

No digital, acessível. Na porta, boa sorte.

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É exatamente isso que o algoritmo espera.

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