A resistência e a beleza de falar mal da IA
Acho engraçado os discursos bonitos sobre resistência à inteligência artificial.
Como se usar essas ferramentas fosse um demérito.
Como se fosse prova de pureza intelectual não tocar nelas.
Até o momento elas ainda não viraram a Skynet e se revoltaram contra nós, seres providos de burrice humana.
Somos inteligentes em poucas áreas da vida.
A IA, pelo menos por enquanto, é competente em bem mais coisas do que a gente gostaria de admitir.
A crítica não é contra quem realmente não utiliza a ferramenta.
É contra os textos lindos e maravilhosos de gente que jura de pés juntos que não usa nada disso.
Que faz questão de parecer artesanal.
Que vende pureza enquanto digita no mesmo teclado que todo mundo.
Sei que daqui a alguns anos vão culpar a estupidez humana “graças” à IA.
Vamos ficar mais burros em algumas coisas, sim.
E o conhecimento das LLMs vai continuar sendo alterado, otimizado e reorganizado.
Mas isso não é novidade.
Uns anos atrás a culpa era da televisão.
Depois migrou para a internet.
Depois para o Google.
Depois para as redes sociais (essa eu ainda compro).
A história se repete. Só muda o vilão da vez.
Por isso fico aqui colocando no site pensamentos que quase ninguém lê.
Uma extensão bagunçada meu do cérebro.
Um lugar que "atualizo" pra não ficar só consumindo Netflix, projetos pela metade, ideias que não saem do lugar e plantas que pedem água.
Segue então um textículo sobre o que a gente vê todo santo dia
1. “O que ninguém fala”
Virou sinônimo de “opa, vem coisa boa aí”.
O "Fernando Pessoa" do LinkedIn começa com essa frase e logo em seguida entrega um texto que ele jura ter criado sozinho.
2. “Gostaria de agradecer quem dedicou uns minutos para me parabenizar”
Lá vem o texto narcisista te lembrando que você não parabenizou e ainda tem uma segunda chance de fazer isso.
3. “Depois de muito pensar…”
Tradução: não pensei porra nenhuma, mas preciso parecer profundo.
4. “Nunca imaginei que esse post ia viralizar”
Clássico. O cara postou sabendo exatamente o que estava fazendo e agora finge surpresa.
5. “Não sou de postar sobre isso, mas…”
É exatamente de postar sobre isso. Só está tentando parecer relutante.
6. “Vou ser bem sincero com vocês…”
Quando alguém começa assim, prepare o bolso. Ou a paciência.
7. “Esse é o post mais importante que eu já escrevi”
Não é. E ele vai escrever outro “mais importante” na semana que vem.
8. “Pouca gente tem coragem de falar isso”
Todo mundo tem. Só que a maioria tem vergonha de postar merda tão óbvia.
9. “Eu poderia ter ficado calado, mas…”
Podia. E devia.
10. “Isso não é sobre mim, mas…”
É 100% sobre ele. O resto é enfeite.
11. “Aprendi da pior forma…”
Geralmente aprendeu da forma mais óbvia possível e agora quer crédito por isso.
12. “Não esperava essa repercussão”
Mentira. Esperava. E se não viesse, apagava o post em 48 horas.
E no meio de tudo isso…
Tem o discurso bonito de quem jura nunca ter usado IA.
Você nunca fez texto com inteligência artificial.
Acha um absurdo ela facilitar e otimizar o dia a dia.
Porque você é uma pessoa especial.
Você realmente não copia nada.
Não segue tendência.
Não repete título.
Não usa moda.
Você é um ser único.
Tudo na sua vida é autossustentável.
Para e pensa nisso.