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O painel que ninguém olha

09 JUL 2026 Upixel

Informação demais faz as pessoas enxergarem de menos.

Imagine comprar um carro novo.
Você entra, liga a chave e, no lugar de um painel simples com velocidade, combustível, temperatura e alguns alertas importantes, encontra centenas de indicadores piscando. Pressão disso, temperatura daquilo, gráficos, números, siglas e informações que você nunca viu na vida.
Provavelmente você pensaria que aquele carro foi projetado por alguém que nunca dirigiu.
É exatamente essa sensação que muitos usuários têm quando abrem um dashboard.
Nem todo mundo precisa pilotar um avião.
Quando construo um painel, quase sempre faço uma comparação simples: esse usuário é um motorista ou um piloto?
O motorista precisa de poucas informações para seguir viagem com segurança. O piloto, por outro lado, precisa de dezenas de indicadores porque está controlando uma máquina muito mais complexa.
O problema é que muita gente insiste em entregar um painel de avião para quem só queria dirigir um carro.
Durante a construção de um dashboard conversamos com várias pessoas. Cada área traz suas necessidades, seus indicadores e seus problemas. No fim, o painel começa a crescer. Mais um gráfico aqui, mais um filtro ali, mais um cartão porque alguém pediu.
Quando percebemos, temos uma tela cheia de informações, mas poucas respostas.
Em grandes instituições isso acontece o tempo todo. Um painel pode reunir dados de diversas áreas da empresa, mas cada pessoa consegue interpretar apenas aquilo que faz parte do seu trabalho. O restante vira apenas informação ocupando espaço.
E aí chegamos ao título deste artigo.
Por que ninguém olha o painel?
Porque muitas vezes ele não conversa com quem está usando.
Existem dashboards com dados desatualizados, indicadores que mudam uma vez por ano, gráficos que nunca geraram uma decisão, números inconsistentes e informações que estão ali apenas porque "sempre estiveram".
O dashboard continua aberto na televisão da empresa ou na aba do navegador, mas deixa de fazer parte da rotina das pessoas.
Ele vira decoração.
Eu gosto muito desse universo de visualização de dados. Tenho orgulho de alguns painéis que ajudei a construir e, olhando para trás, também vejo outros que hoje faria completamente diferentes.
Com o tempo aprendi que a pergunta mais importante nunca foi "qual gráfico vamos colocar?".
A pergunta certa sempre foi:
Por que esse gráfico precisa existir?
Se ele não ajuda alguém a entender um problema, tomar uma decisão ou agir mais rápido, talvez ele nem devesse estar ali.
No fim das contas, um bom dashboard não é o que mostra mais informações.
É o que mostra exatamente aquilo que o usuário precisa para seguir viagem. Assim como um bom painel de carro. Nem mais. Nem menos.

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É exatamente isso que o algoritmo espera.

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Fim do artigo.

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